Por Elaine Berti Sempre acreditei que a música, a poesia , o cinema, a literatura, são onde encontramos as verdadeiras respostas, ou perguntas para os acontecimentos da vida, ou sobre o comportamento humano se comparados ao que muitas vezes nos é imposto como fato real. Talvez seja essa minha desconfiança... Quem conta os fatos reais (reais?) realmente diz a verdade? Realiza o real? Já na ficção podemos de antemão saber que a ideia foi elabora; inventada; pode não ser real - não nos obriga a acreditar. A ficção não tem a pretensão da verdade. A pretensão da arte é fazer pensar, emocionar o ouvinte, o espectador, o leitor; tocar nas pessoas de uma forma sútil - não impondo a verdade, apenas sugerindo.
Nesse tempo em que andei de férias do meu blog vi muitos filmes. Ah, como estava com saudade disso. Como é vital para mim a ficção. Ando farta de politicagem, de notícias de jornais, farta da mídia, de partidarismo de fachada, de verdades impostas, de mentiras " reais".
Na minha opinião os jornais nunca retratam fatos por inteiro, o que me faz sempre lembrar da música do Chico: " a dor da gente não sai no jornal".
Quando abro um livro que me prende e me revela almas de personagens cheios de questionamentos, defeitos, virtudes, maldades... Isso sim me faz pensar nos fatos; na vida; no cotidiano e nas necessidades humanas (...)
Entrar no cinema e se deixar levar por uma história inventada. Acreditar numa tela gigantesca, chorar com a dor do outro, sofrer pela personagem, carregar a história inventada para sempre... Isso é real. Sabemos que não é, que foi inventado, que foi idealizado. O cinema como diz Rubem Alves: é o momento onde nos entregamos a loucura, e nos deixamos levar por aquilo que ' não é '. Mas quem garante que a vida, e que os fatos reais são de fato tão reais assim?
Na dúvida entre o que é ou o que não é, prefiro mergulhar naquilo que ' não é ' , mas que pode ou poderia ser.
1 comentários:
muito bom, adoro o que pode ou poderia ser...
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